sábado, 17 de novembro de 2018

Acabou, não é mesmo?

"It's over, isn't? Why can't I move on?"

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Que eu tenho um problema sério com crescimento não é novidade para ninguém que me conheça bem. Sejam os familiares que lidavam com minha mágoa caso me parabenizassem pelo meu aniversário antes das 19:00, seja um amigo que adivinhou que meu sonho de princesa durante a infância era ir para a Terra do Nunca, seja a psicóloga que, me ouvindo falar do meu ambiente de trabalho, comentou que o ambiente era "pouco adulto", entre outros exemplos, a questão é que minha dificuldade com maturidade transparece em cada aspecto da minha vida.

E em certos momentos eu vi isso como uma característica minha que torna minha sobrevivência impossível. Em outros momentos eu vejo como uma doença que precisa ser tratada. Em outros, ainda, vejo como uma característica minha sim, que sempre vai estar comigo, mas que eu preciso aprender a gerenciar para que não me cause tanta dor assim. Um meio-termo entre apagar minha característica e virar outra pessoa, e simplesmente me matar porque não dá mais.

E nos bons momentos, os momentos otimistas, os momentos em que estou sob efeito de remédios ou quando a vida no geral dá uma pausa em jogar merda no meu caminho, eu tento aprender lições que me ajudem a superar essa dor tão pungente que me segue desde a infância.

Como sempre, vou falar agora sobre ficção. E como sempre, vou falar também sobre o CEFET.

Já falei aqui sobre Divertidamente, sobre Daria, sobre Buffy. Se não falei sobre Buffy deveria ter falado, porque ele é muito catártico para a transição de jovem sim para sim adulto. Devo ter falado, e se não falei, estou vacilando, de Chiquititas também - a música Crescer. Mas ainda com toda essa ajuda, sou lenta em aceitar mudanças, em aceitar que eu cresci, em aceitar as mudanças e crescimentos das pessoas. E isso, junto com a experiência maravilhosa que foi o CEFET, faz com que o tópico do meu ensino médio seja complicado para mim - e aqui nesse blog tem um resumo de tudo.

Andei meio que me anestesiando com as notícias de casamentos e bebês de colegas depois de um tempo. Mas era uma anestesia: eu não sentia a dor, mas eu sentia a pressão. Tipo tentar cortar sua própria pele com uma faca cega. Eu pensava: essa pessoa era tão legal. Agora ela - ECA - casou e teve bebê! E segui assim um tempo.

E aí veio uma nova ficção na minha vida. Steven Universo. E por mais que o contexto não seja o mesmo, foi ao som da Pérola sofrendo pela ausência da Rose que uma fagulha muito interessante se acendeu em mim. Com o cefet em mente, eu pensei: acabou, não é mesmo? então por que eu não consigo superar?"

E assim como eu assisti ao processo de cura da Pérola, que conseguiu, sem esquecer a Rose, dar o move on, eu comecei a tentar responder essa pergunta. E comecei a tentar ver coisas legais nas pessoas do cefet (porque em algum momento do passado eu já concluí que por mais que o cefet em si tenha sido maravilhoso, ele sozinho sem aquelas pessoas em específico não seria o mesmo, assim como aquelas pessoas em si apenas não seriam a mesma coisa) no presente. E comecei a ver que essas pessoas mudaram sim, cresceram sim, mas ainda são elas, ainda que diferentes. Eu aprendi a mudar meu olhar: e ao invés de passar em frente ao cefet físico e evitar olhar as reformas que mudaram um pouco a fachada, eu passei a olhar e tentar ver a cara nova, falar "tá até bonitão, hein".

Vi foto da neném da anelise no facebook e nem tive uma crise de "que nojo, um bebê", mas na forma que ela escreveu o post eu ouvi o tom brincalhão da voz dela. Ver buda, isabela e camillo discutindo política no grupo do whatsapp foi legal, ainda que os argumentos não fossem mais "heavy metal para salvar o mundo", "flauta para salvar o mundo" ou "não beber coca cola para salvar o mundo". Eles mudaram, mas eu estou conseguindo ver o que eles tem de legal hoje - ao invés de lamentar que eles mudaram.

E o casamento real da Fabíola não me doeu em nada. Senti muito amor por ela, torço de verdade para que ela fique bem e seja feliz, porque esse foi o caminho que ela escolheu traçar. Não vou nunca esquecer de ela chamando a daminha enquanto cantava Era uma vez da Kell Smith, linda e sorridente e FELIZ, com o braço esticado para a garotinha. Tive orgulho dela por ela. E não dor porque não ficamos mais suspirando sobre meninos pelos corredores do cefet. Aquele momento foi importante lá atrás.

Mas a vida segue.

As coisas mudam.

E podem ter levado 31 anos, uma quantidade imensa de filmes e séries e fics, mais duas assistidas de todos os episódios de Steven Universo para eu captar o motivo da fascinação da Rose Quartz com a vida na Terra: a gente está sempre mudando. E isso pode ser bom.

Provavelmente meus estudos pagãos sobre ciclos podem estar me ajudando nisso também. Na ideia da mudança constante.

Talvez a primeira carta que tirei no Oráculo da Deusa (Oya - a mudança) tenha ajudado a me motivar a escrever isso agora.

E não estou dizendo que resolvi meu problema com crescimento e mudança como um todo. Esse é um caminho longo ainda.

Mas eu acredito que pelo menos o cefet eu superei. Pelo menos nesse ponto eu aprendi a aceitar as mudanças.

Viva Rose Quartz!

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