sábado, 18 de dezembro de 2021

Sobre nostalgia, saudade, ciúme, solidão e solitude

Ainda aqui na casa da Helena (e no bairro, ao ir ao supermercado) preciso admitir que em vários momentos me pego pensando com carinho e saudade no Rafael, na nossa rotina, nos nossos antigos hábitos. E aí vem dois pensamentos em seguida:

1- e se a gente voltasse?

2- a gente não tem mais nada a ver um com o outro
E aí eu fui olhar a definição de nostalgia, e é exatamente isso que estou sentindo, na verdade: "saudades de algo, de um estado, de uma forma de existência que se deixou de ter; desejo de voltar ao passado."
Eu não gostaria de estar ao lado do Rafael de 2021. Em 2017 a gente já não se suportou e terminou. Eu quero o Rafael - e a Mariana, e o relacionamento entre Rafael e Mariana - de muitos e muitos anos atrás.
Tantas lembranças estão passando na minha cabeça ao longo do dia de hoje. E não só as boas. Por isso eu sei que não é saudade exatamente. Não é saudade dele. É uma melancolia por não ter mais aquelas coisas tão bacanas, e aquela rotina, e aqueles sentimentos.
E enquanto eu repasso mentalmente essas coisas na minha cabeça, Lucas e Brenda estão em um date com outras pessoas, assistindo Homem Aranha, e eu tô com ciúmes. Me empenhei bem para ocupar a minha cabeça pela tarde toda. Mas eu já estou melancólica com esses pensamentos sobre Rafael, ciuminho não ajudou em nada com a melancolia (e ainda é dezembro - natal, parentes chamando pra passar o natal, chuva, enfim, dezembro.
E aí vem um ponto muito importante. Eu estive muito cansada de pessoas como um todo. Ressaca social, sem nenhum tempo pra me reorganizar em mim mesma há semanas. Então ficar sozinha aqui na casa da Helena está sendo muito positivo por esse lado. Solitude, yay!
Por outro lado, eu estou me sentindo solitária. Eu queria o Rafael de um passado que não existe mais, eu queria Lucas e Brenda, que estão a outro estado de distância vendo outras pessoas, e ainda falta uma semana para eu ver eles pessoalmente de novo. Tocou Velha Infância, dos Tribalistas, num karaokê aqui na região, e eu fui jogada ali nos meus ~14 anos, quando essa era "minha música" com Dorneles. Mais nostalgia.
Vou ouvir música, e vou parar no meu mais novo crush (artista): Freddie Mercury. Mais nostalgia (nostalgia também é "estado melancólico devido a aspirações, desejos nunca realizados."), porque eu queria ter tido um tempo de interseção com o trabalho em vida dele. E pensar que ele morreu por conta de AIDS, que hoje em dia está super gerenciável e ok de se lidar.
Eu não gostaria de um tanto de gente ao meu redor nesse momento. Mas eu gostaria de poder pegar essa parte nostálgica e solitária de mim e dar beijinho pra sarar. Como resolve isso?
[E já fazendo interseção com um assunto super presente na minha terapia atual: Isaura não serviria pra dar esse beijinho pra sarar minha nostalgia. Não sei se é porque ela é a única efetivamente viável no dia de hoje, ou se é porque "Isaura não é crush", nas palavras da Eduarda. Mas o fato é que nesse momento de agora a presença da Isaura me causaria desconforto na real]

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