Eu acho que eu não quero morrer. Existem coisas legais e boas por aí. Existem coisas bonitas de se conhecer. Existem ações legais, comportamentos admiráveis. Vivendo, eu poderia vivenciar coisas positivas, aprender coisas que me deem prazer. Mas a questão é que vivenciar coisas positivas é muito difícil, é muito trabalhoso. Estar bem é difícil. É necessário um esforço quase sobrehumano para se conseguir empenhar em coisas boas. E, por outro lado, é muito fácil as coisas darem errado, saírem do jeito que não se quer. É muito mais cômodo não agir e assistir o mundo explodir. Ser feliz, manter a aspiração ouro, ou até verde, que seja, é muito, muito, muito trabalhoso.
E daí eu me pergunto: qual a finalidade de se esforçar tanto para a depressão não tomar conta, quando o destino de todos, dos felizes e dos infelizes, é a morte? Rindo mais do que chorando, ou chorando mais do que rindo, o único destino de todo mundo é entrar na base da cadeia alimentar. Então por que? Qual o motivo alguém tem para tornar a própria vida melhor?
Obviamente estou excluindo toda e qualquer baboseira religiosa. E, excluindo-se as motivações provenientes de lendas e de mentiras convenientes, não resta um único motivo para a vida continuar.
Eu estou cansada da batalha. Estou cansada de tentar e de me esforçar e de querer e de me organizar e de fazer e de acontecer. Porque no fim o resultado é o mesmo: vamos morrer.
Então eu não vejo motivo para continuar viva. Estar bem tempo o suficiente para se considerar que a vida vale a pena exige esforço demais. E a morte é a única coisa que vem no final. Não há motivo. Se houvesse um motivo, eu sinto que eu poderia tentar de novo. Mas não há motivo.
Então, não é que eu ~queira~ morrer. Eu só estou cansada demais de lutar batalhas desgastantes em uma guerra sem motivos. Por isso, a morte é a única solução.
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