segunda-feira, 24 de março de 2014

Eu não tenho objetivos meus. Até hoje eu fiz coisas que eram esperadas de mim pelas pessoas, principalmente pela minha mãe. Mas eu não tenho nada. Não tenho objetivo, não tenho vontade.

Um dia eu já pensei "eu não posso me matar porque a minha mãe ficaria arrasada". Hoje eu já penso que isso não importa. Eu morta não vou ter que lidar com minha mãe arrasada. Eu morta vou finalmente poder não assumir responsabilidades. Adeus consciência, adeus dor, adeus tudo.

E também tem o fato de que eu não quero ficar velha. Não quero ficar mais velha do que eu estou agora, e igualmente sem realizações. Sou uma derrotada hoje e vou continuar sendo.

Ah, mas por que você não faz o que você quer? O que você tem vontade de fazer? Estuda Veterinária, você gosta de bichinhos. Estuda Arquitetura, você gosta de construir no The Sims. Estuda Engenharia Civil, você já está na área/ Você é boa no que faz. Faz um concurso, tem um de nível médio ótimo para fazer X, Y ou Z. Por que você não dá aula?

Em primeiro lugar, eu não QUERO fazer nada. Por isso eu não faço o que eu quero. Em segundo lugar, eu não quero como objetivo essas soluções perfeitas que vem dos outros. Eu quero fazer alguma coisa que eu escolha fazer, que eu julgue adequada para mim, e não que os outros julguem adequado. Mas eu não penso em nada que seja adequado para mim.

Enquanto o que me manteve viva foi agradar minha mãe, eu ainda consegui inventar objetivos, como por exemplo estudar japonês. Assim eu poderia ocupar meu tempo enquanto eu esperava a morte dela para eu finalmente poder me matar. Mas eu não quero mais inventar objetivos que na verdade são só passatempo. Eu não quero mais viver dos objetivos dos outros. E sendo a morte a única coisa que está no fim da linha da vida, eu não tenho motivos para continuar sofrendo e, como eu já disse, batalhando em uma guerra inútil. Que venha a morte o quanto antes.

Então eu reforço: não é que eu queira a morte. Eu só não vejo outra solução. E eu acho que eu só estou aqui quebrando a cabeça e tentando dar algum jeito por causa do instinto mais básico de sobrevivência.

Mas, na boa, se um dia eu já me preocupei muito com a ideia da dor na hora da morte, eu já começo a achar isso cada vez menos importante. Vai ser momentânea, o preço até pequeno a se pagar pela minha libertação. E se eu já me preocupei com o que vai acontecer com aqueles que sobreviverem a mim, como será a reação deles, hoje eu já penso que, bem, eu não vou mais estar apta a perceber essas coisas e a me sentir culpada por elas.

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