Eu vi muitos desenhos, filmes e séries, li alguns livros e mangás e uma infinidade de fanfics, assim como eu joguei alguns jogos de video-game. Eu gosto de mergulhar em outros universos que não os meus. Eu gosto de me apossar dos objetivos, das emoções, das batalhas dos personagens. Eu rio com eles, eu choro com eles, eu amo e odeio com eles, pelos motivos deles.
Pelo que eu me lembro, a primeira vez que eu senti dor junto com um personagem foi quando o Dumbo foi visitar a mãe dele na jaula. Eu tinha quatro ou cinco anos, não sei direito, quando eu vi o filme pela primeira vez. Eu fui o Dumbo ali, enquanto eu imaginava o quão horrível não deveria ser ser separado da mãe daquela forma. Foi excruciante.
Como eu quis que o Harry fosse viver com o Sirius e tivesse um lar de verdade! Eu fui órfã rejeitada junto com ele. Como eu me doí e chorei com a morte de cada Sailor! Nem sei se a Serena chorou mais que eu ao ver cada amiga se sacrificando pela derrota da Beryll, especialmente a Rei. Eu fui a Serena ali, vendo a implicante ~amiga~ usando o último fôlego para finalizar sua segunda Maligna, última do bando. Naquele momento a Rei morreu pela minha batalha com a Beryll.
Eu fui a Kari vendo o Wizardmon se desfazendo em digidados. Eu fui o Zuko tentando elaborar como se aproximar do grupo do Aang. Eu fui a Sakura quando ela ligou para o Shoran e disse "quando você gritou Sakuraaaaa eu fiquei tão feliz!".
Eu fui a Daria em cada comentário sarcástico. Eu fui a Misato em cada minuto que em que eu "estive" com ela. Eu fui o Shinji (eu sou o Shinji), covarde demais até para se matar.
Eu fui o Harry vendo o Sirius caindo atrás do véu, todas as promessas e possibilidades de paz morrendo junto com aquele homem. Mas depois eu pude ser a Bellatrix também, realizando um feito tão importante para o Lorde das Trevas. Eu fui a Rose vendo o Doctor desaparecendo no ar, e fui o Doctor ao mesmo tempo, um Time Lord que não teve tempo para terminar o que ele estava dizendo. Eu fui Regulus Black ao escrever sobre a traição dele. Eu fui cada membro do New Directions quando eles cantaram Loser like me. Ou quando eles cantaram quase tudo o que eles cantaram.
Eu fui muitos, muitos outros também. Quando eu tinha uns doze anos, jogando Zelda, meio que sem saber para onde ir no jogo, minha mãe para do meu lado e pergunta alguma coisa sobre o jogo. E eu respondo "eu estou perdido na floresta". Eu fui o Link. Mudo de gênero, de orientação sexual, de convicção. Eu quis a destruição do mundo em X1999 e quis a salvação em quantas outras histórias?
Lorde diz, em Buzzcut Season, "Nothing's wrong when nothing's true". Acho que meio que vivi minha vida toda por essa ideia.
Fui todos esses, fui outros. São muitas, incontáveis vidas e emoções que eu vivenciei via personagens fictícios. Mas existem três personagens que se destacam em toda essa miríade.
Vampira, Ryoko, Starbuck.
Nessa ordem, simplesmente porque foi nessa ordem que eu as conheci.
Em diferentes momentos da minha vida eu não apenas fui uma delas enquanto elas passavam por algum problema ou obtinham alguma vitória. Elas foram (são, verdade seja dita), de certa forma, modelos para mim, principalmente para eu elaborar minhas próprias máscaras sociais, aquelas que eu uso day by day para enfrentar cada mísero momento da vida real.
Elas servem de referência para mim, fato. O que eu recentemente resolvi tentar entender é o motivo por trás da minha admiração, os porquês de essas personagens, e não outras dentre tantos, me tocarem tão a fundo.
Vou analisar, então, cada uma delas separadamente.
Vampira - primeiras impressões
Eu conheci a Vampira quando eu tinha por volta de seis anos. Eu assistia TV Colosso todos os dias religiosamente, e X-men era um dos desenhos que passava mais para o fim da manhã, se eu não estou enganada. Eu adorava o desenho. Ele era tão legal! Acho que "legal" era o elogio máximo que meu vocabulário permitia, na época. Não sei bem localizar se Capitão Planeta foi concomitante com X-men ou não, mas por mais que eu conversasse com os protetores em minha vida cotidiana - os chamados amigos imaginários - chamando o pobre Kwami de Bruno por não memorizar o nome dele, foi no X-men que eu encontrei meu primeiro ídolo.
Todos os X-men eram legais. O Wolverine não era exatamente legal, mas não chegava a incomodar. Todos os personagens eram legais, e depois que a minha avó me disse que a favorita dela era a Tempestade porque a moça tinha cabelos brancos como os dela, eu passei a achar a personagem um pouco mais legal do que a média do desenho.
Mas a mais legal de todas era a Vampira. A Vampira era MUITO legal. Ela era bonita, legal, forte e legal. Obviamente a palavra no meu vocabulário não era essa, mas a sensação era sim: a Vampira era awesome. Ela por si só me inspirava, e também a relação dela com o Gambit.
Tinha um menino da minha sala - André - que sentava na minha frente e era "meu namorado". Ahem. Era minha crush do momento, naquele modelo "morro se ele descobrir". Eu passei a chamar ele de chérr (pronunciado chêrrí) em honra do meu amado ship (é, acho que Vampira/Gambit foi meu primeiro ship hétero, my first OTP). Claro que, de novo, essa não seria a forma como eu me expressaria naquela época.
Eu não vou fingir que eu saiba apontar qual o motivo de eu achar a Vampira tão legal há todos esses anos atrás. A busca por esse tal motivo é, na verdade, o que inspirou essa ode às minhas heroínas. A única coisa que eu posso afirmar daquela época é que a Vampira me impressionou muito, graças ao quão legal ela era.
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