Hoje, agora, nesse exato momento, estou calma. Mas os últimos dias tem sido tão caóticos que eu não sei como expressar toda a raiva, a mágoa, a frustração, a vontade de me banir da face da Terra.
Pedro infartou. É estranho escrever isso. Voltou para a casa hoje e eu ainda não fui visitar. Meus planos são ir amanhã. Não sei o que falar com ele. Eu sinto como se houvesse um abismo intransponível entre nós hoje. Na verdade eu impus esse mesmo abismo entre mim e boa parte dos meus familiares. Vou visitar amanhã e improvisar o diálogo. A mera preocupação nesse sentido denota o quão não-familiarizada com ele eu estou hoje em dia. Isso é ruim.
Eu não suporto mais a minha mãe, mas eu ainda sinto culpa por me afastar dela. Eu estou sufocando. Eu sinto alívio por colocar os fones de ouvido e me isolar no meu quarto, mas eu ainda me mato de culpa. Porra, eu queria sentir vontade de passar meu tempo com ela. Eu queria voltar a olhar para ela e confiar que ela fosse meu norte outra vez. Às vezes eu acho que minha maior dor em relação a ela é justamente o fato de ela não ser mais capaz de ser meu líder. Eu preciso de liderança, como a Tomoyo. Eu precisei, a minha vida inteira, ver se minha mãe comia para eu comer também. Eu precisava da aprovação dela para comer minha ração. Eu precisava dormir bunda com bunda com ela. Mas então minha mãe simplesmente deixou de ser uma líder confiável. De repente eu virei a líder do bando. Eu nunca quis ser a líder dessa matilha. Eu sou aquela que, tirando as relações com os homens com quem eu mantenho relação sexual-afetiva, não faço xixi em território alheio.
Povo de EDC querendo marcar um sítio para comemorar os 10 anos. Eu acho lindo. É claro que eu vou. Mas é claro que eu já estou ansiosa e sei lá mais o quê.
Mandei um e-mail para o Antônio. Ele respondeu. Eu ainda não consegui responder. Ele perguntou sobre mim e eu estou a total mess right now. Como vou dosar entre o que eu quero e o que eu devo falar? Vou tentar de novo amanhã.
E a porra do supervalorizado sexo. Eu me machuquei de novo. Não sei se foi a minha aventura sozinha ou se foi com o Rafael. Sei que dói, arde, e eu estou com raiva. Eventualmente eu me machuco. Sempre. Não vale a pena, não vale a pena, não vale a pena. Cito Jenny Schecter: "Sex isn't a leisure activity. Sometimes it's a revelation, sometimes it's fun, sometimes it's scary. Sometimes it's tepid." Acrescento que é supervalorizado. E afirmo aqui, agora, que definitivamente não é uma coisa de formato cilíndrico que me dá prazer sexual. Uma coisa de formato cilíndrico pode, às vezes, ajudar muito, ser muito prazerosa. Mas é na minoria das vezes.
Estou inchada, meu humor está uma merda, eu às vezes acho que eu deveria fazer outro teste de gravidez. Eu estou puta por ninguém da misa ter me passado trabalho para as férias. Eu estou a beira de lágrimas com uma frequência incômoda. EU SEI que eu deveria procurar um ginecologista, um nutricionista, um endocrinologista. Mas só de me imaginar em um consultório, hoje bem mais cedo, eu tive uma crise de choro.
Não é tudo tão ruim assim, eu sei. Mas não é fácil deixar de me sentir um lixo, uma merda, não é fácil parar de querer sumir do mundo.
Mesmo que a Andromeda esteja bem depois da parvovirose. Mesmo que a fic que eu escrevi para o Yuletide tenha ganhado sete kudos. Mesmo que o Pedro esteja bem. Mesmo que eu tenha finalmente acertado com a Alanis Morissette e eu ache que vou me conformar com ela até eu meio que enjoar de toda a discografia, assim como já fiz com Lady Gaga, Lana del Rey, Lorde. Mesmo com a Jane Aust10, que tem me deixado ansiosa checando caixa de entrada de MPs.
Não é tudo uma merda, mas eu me sinto uma merda. Então, como efetivamente curtir as partes boas?
Não quero voltar ao trabalho porque não gosto de trabalhar. Poder deixar minha cabeça passear, divagar, viajar à vontade é muito bom. Mas eu não quero continuar em casa. Estou dividida, perdida. Minha dieta foi para o lixo, e não porque as comidas de fim de ano são, oh, deliciosas. E sim porque comer traz a porra da sensação de bem-estar. Merda, porra, caralho, buceta.
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