E eu acho que essa é a parte final.
Eu realmente estou considerando o problema resolvido. Eu estou curtindo muito o fato de os meus peitos estarem muito, mas muito, mas muito menos doloridos. Voltei a comer maçã. O estômago está ótimo. Eu acho até que eu desinchei, e olha que eu não tinha me percebido inchada até eu desinchar. Acabou. ^^
Ainda acho que a questão de eu ter deliberadamente matado um ser vivo, eliminando as possibilidades dele de forma tão prematura e fria é algo que pode voltar para mim algum dia, eventualmente. Mas tirando esse ponto, estou muito de boa com o que eu fiz. E estou curtindo muito o fato de não estar grávida e de o meu corpo ser meu, e não um lar temporário de um projeto de ser humano chutador de cachorro e comedor de cadáver.
Algumas observações finais que não couberam na narrativa principal e/ou eu me esqueci de incluir:
- eu me neguei o direito de especular sobre o sexo do bebê enquanto eu ainda tinha um quase-bebê dentro de mim. Eu senti a curiosidade de saber, mas temi que até brincar com o assunto com o namorado pudesse me fazer mudar de ideia ou me trazer arrependimento. Hoje eu estou mais fria, mas não sei se me sinto capaz de puxar o assunto especulativo com o pai do it.
- rolou lá na empresa um papo sobre eu grávida do Alan X eu grávida do namorado. Eu já estava grávida no momento, mas eu não sabia. HUAhuahua. Ironia do caramba.
- rolou um papo hipotético em um horário de almoço entre mim e uma colega de serviço na semana em que eu estava esperando o remédio chegar. Eu defendendo o direito ao aborto, ela com aquela postura de "eu acho que deveria ser legalizado, mas eu não faria. Quer dizer, nem sei se eu acho que deveria ser legalizado". Aí ela me pergunta: "Você faria?" E eu respondo que sim. E ela meio que sem acreditar, questionando, obviamente em outras palavras, se isso não seria só bravata minha. Eu quase falei "tanto sou capaz de fazer que estou esperando os remédios chegarem nesse exato momento."Não falei nada, no entanto. Bizarrice irônica de novo.
- acho que ainda na semana da espera pelo remédio, estava eu indo trabalhar e o trânsito estava um cu por causa de algum acidente. Eu estava na BR dentro do ônibus. Em uma faixa a duas faixas ao lado da minha, enquanto o trânsito estava um cu, aconteceu outro acidente. Se eu não me engano, um carro pegou uma moto. Nunca vi tanta gente correr para as janelas do ônibus de uma só vez como eles fizeram. Um cara tirou o celular instantaneamente e foi bater fotos. Eu fiquei horrorizada com a sede pela desgraça alheia. E meu pensamento foi: tá todo mundo aí banalizando a possibilidade da morte. O acidente é um espetáculo. No entanto, se eu me levantasse ali e dissesse que estava prestes a realizar um aborto, aposto que todos iriam me questionar e me encher pelo meu assassinato. Hipócritas do inferno.
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