quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O aborto - parte VII

Terça-feira, 21/01/14, eu acordei bem disposta, aliviada, feliz, até. Problema resolvido, lá, lá, lá, lá. Contente e saltitante eu fui trabalhar. No meio da manhã eu comecei a sentir dor. Ali pelas 11 e alguma coisa eu não estava conseguindo me concentrar para trabalhar. Fui almoçar com meu namorado e não consegui comer por causa da dor. Ele me levou para a casa dele. Passei a tarde deitada com bolsa d'água quente na barriga. Saiu algum sangue e alguns coágulos, mas em quantidade muito menor que seria o esperado pela quantidade de dor. Ainda assim, a dor foi menor do que na sexta.

Na quarta cedinho eu fui fazer exames de sangue que o médico da segunda também pediu. Na hora de ir para o trabalho, aceitei a sugestão do namorado e fui para a minha casa. Falei com a minha mãe que eu estava com uma dor absurda. Ela lá me mandando tomar buscopan, e eu sem poder dizer que eu não podia tomar buscopan de forma alguma. Menti para ela que eu tomei a porra do remédio. Deitei e fiquei debaixo das cobertas morrendo de dor. A dor dessa vez foi menor que a da sexta, acho até que menor do que a do dia anterior. Mais alguns coágulos depois, e no fim da tarde eu estava ótima.

Ou terça ou quarta, já não me lembro mais (devia ter escrito isso antes, sua estúpida), um dos coágulos que saiu tinha uma textura muito esquisita. Procurei fotos de placenta no google e achei que parecia com o que eu expeli.

Na quinta eu fui trabalhar com a cara e a coragem. No meio da manhã eu tive uma cólica forte para meus padrões da vida inteira, mas plenamente suportável. A dor se intensificou. Ali pelas duas da tarde a dor começou a passar. No fim da tarde, saiu outro pedaço esquisito que eu passei a considerar como placenta. Mais um pouco de sangue e fim da história.

Quinta-feira, dia 23/01/2014, saiu a última quantidade de coisas relacionada ao meu aborto.

Meus pensamentos, no geral, eram de alívio por ter tudo acabado. Mas aí começou a próxima parte da preocupação: o aborto teria sido completo? Caso não tivesse sido completo, eu estaria sob alto risco de contrair uma infecção.

Na sexta eu fui fazer o ultrassom. Joguei o mesmo lero na médica sobre eu achar que eu estava grávida e antes de fazer o teste do xixi eu começar a sentir dor e sangrar. Ela marcou meu resultado com um "ABORTAMENTO INCOMPLETO?" que colocou eu e meu namorado em parafuso. Segundo a médica, ainda tinha bastante coisa para sair. Hoje, quase uma semana depois, eu considero que não saiu nada porque as gotinhas e a borrinha que vieram e foram desde sexta passada nem contaram direito para mim. Estive sem absorvente a maior parte desse tempo.

Considero a questão do aborto totalmente finalizada, agora. Existe uma interrogação sobre o que ainda restou dentro de mim, mas agora esse é um problema do MEU corpo, não de uma gravidez ou de outro ser em desenvolvimento. É um problema que diz respeito apenas a mim. É um problema que surgiu em decorrência da gravidez, mas já não é a gravidez.

Fui ao médico hoje levando os resultados dos exames de sangue (exames hormonais) e do ultrassom. O médico, que eu odiei, disse que não dá para afirmar nada sobre a necessidade de eu fazer uma curetagem e me pediu outro ultrassom. Ele também disse que SE (adoro o "se") eu realmente tive um aborto, não ficou nenhum "resto do fetinho" (nas palavras dele), caso contrário eu estaria "com uma toalha encharcada no meio das pernas", não estaria suportando a dor e estaria tendo febre altíssima. Ou seja, eu ainda tenho um problema para resolver, e a resolução, eu estou imaginando, vai acontecer na semana que vem, a partir do momento que eu receber minha carteirinha do meu plano de saúde. Pelo menos segundo esse médico quinze dias é tempo suficiente para o útero infeccionar, caso tivesse ficado algum resquício. Como não aconteceu, aparentemente eu estou bem.

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