Então veio quinta-feira, dia 16. Fui para a casa do namorado à noite, jantei e tomei o primeiro comprimido. Enquanto eu pegava o comprimido, eu pensava que aquela era minha última chance de mudar de ideia. Eu não mudei de ideia. Depois de tomar, dei o assunto por encerrado. Mesmo se eu mudasse de ideia ou me arrependesse, já era. Eu não me arrependi depois de tomar o remédio.
Acordei na sexta 17 e, passado o tempo do jejum, tomei os dois comprimidos e introduzi os dois. Em meia hora eu tive as primeiras contrações. Minha mãe me ligou, eu fiquei nervosa e vomitei. Quatro horas depois, que era quando eu deveria tomar mais dois comprimidos e introduzir mais dois, eu já tinha vomitado de dor, chorado de dor. Eu descobri que eu não conhecia dor até esse dia. Doeram as minhas costas, doeram as minhas coxas, às vezes até os joelhos. Era tanta dor que quando ela passava eu sentia até sonolência, e a dor ia e vinha em intervalos curtinhos. Sangrei pouquíssimo, um sangue marrom e fedido. Eu podia tomar dorflex, mas eu vomitei o comprimido duas vezes.
A sogra tinha queimado a barriga no dia anterior, e a internet do namorado deu pau, então o técnico estava lá. Ele teve que dividir a atenção dele entre mim, que estava revirando de dor na cama, entre a mãe dele e o técnico. Ele foi um fofo, fez por mim tudo o que era possível ser feito. Segurou balde para eu vomitar, segurou meu cabelo. Foi na rua comprar bolsa para água quente, trocou a água um milhão de vezes. Falou para eu apertar a mão dele na hora das dores mais fortes.
À tarde eu me forcei a comer uma torrada devagarzinho para ver se meu estômago acalmava. No fim da tarde eu dormi, quando a dor diminuiu. Acordei lá pelas 22 horas me sentindo bem melhor, sentindo fome. Comi, dormi de novo. No dia seguinte tinha saído pouco sangue, algum muco sanguinolento. Tudo parecendo um princípio de menstruação normal.
Deixei completar umas 8 horas de jejum (acordei às 4 e fiz um lanche) e tomei mais um comprimido e introduzi mais um. Senti um pouco de cólica, num nível quase normal. O comprimido que eu introduzi saiu com o sangue. Dessa vez eu tomei plasil e dorflex antes de tomar o remédio. Depois de ver um comprimido expulso com o sangue, tomei os dois restantes.
A partir daí comecei a menstruação normal, sem grandes dores. A bolsa de água quente me ajudou a passar o sábado de boa. Fui para a minha casa no domingo de manhã e não senti nada o dia inteiro.
Eu estava com muito medo de não ter funcionado. É uma possibilidade a gravidez continuar, com sequela para o bebê ou não.
Segunda, no trabalho, passei o dia com cólicas fortes dentro dos meus padrões. Na hora do almoço o namorado foi comigo a um ginecologista. Eu disse que achava que tinha tido um aborto porque eu tinha tido milhões de sintomas, mas antes de fazer o teste, eu senti a dor e saiu o sangue fedido. Ele disse que se a menstruação desceu, não era gravidez. Que raiva não poder falar a verdade! De qualquer forma, ele me pediu um ultrassom para ver meus ovários, e eu fiquei satisfeita porque tudo o que eu precisava era desse pedido de exame.
De tardinha eu senti dores bem fortes, e saiu um fluxo maior à noite. No meio do sangue e dos coágulos, eu encontrei um coágulo de forma meio esquisita e comecei a cutucar ele. Coloquei perto da luz, contra a luz. Apertei, puxei, pus debaixo da água. O coágulo tinha uma extremidade mais clara e parecia que tinha alguma coisa dentro. À princípio parecia uma veia, mas depois que eu destruí a parte "normal" do coágulo, me pareceu que a tal da veia era na verdade o cordão umbilical. Eu tentei tirar foto do coágulo inteiro, mas não consegui pegar de jeito que desse para ver a pontinha mais clara que me pareceu o embrião. Depois que eu tirei a parte normal do coágulo, bati três fotos e mandei para o pai. Foi difícil até deixar elas nítidas.
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